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Ode à verdade

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Sou uma apaixonada
Amo com uma capacidade que parece ilimitada
Amo os rios, as pedras, os pássaros
A lua, o sol, as árvores, a terra
Amo os sorrisos das pessoas
Choro com o coração as suas lágrimas
Com o peito apaixono-me por cada parte do corpo
Com a pele amo até às entranhas a pele que se me oferece...

Deixo-me possuir pela terra, pela água, pelo sol e pelo vento
Extasiada deixo o meu corpo sentir toda a verdade
Deixo-o ser menina e mulher. Mulher-mãe, mulher-amante, mulher-amiga

A capacidade de dar e receber amor dos meus lábios é infinita
Amo a pele dos homens e das mulheres: amigos, irmãos, amantes, desconhecidos
O pelo dos animais
Amo e sou amada pela água, pela comida, pela brisa
Extasio-me, apaixono-me, dou-me e recebo sem fim
Cada vez com menos rodeios
Cada vez mais verdadeira, mais assumida, mais mulher, mais essência

Sou uma apaixonada e amo imensamente essa verdade de mim

Que todas as mulheres e homens se possam resgatar
Que possam tirar as máscaras, as couraças
Que poss…

Em busca da verdade

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Hoje, só por hoje, vou praticar ser em vez de fazer Vou praticar sentir em vez de ressentir Vou praticar resgatar-me em vez de esculpir-me



Sou mar

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As águas de Carcavelos hoje tiveram-me sereia e eu tive-as como sou. 

Amo sentir os seios beijados pela água, sentir o ventre afagado e as entranhas saboreadas por estas torrentes de pureza líquida e sal.

Amo deixar-me embalar, pés na areia, rosto ao sol e ao ar, pelo colo tão acolhedor e suave das ondas do meu mar.

Sou da água. Nunca poderia viver onde não habitem rios, nascentes, ondas. Foi dela que nasci e é ela que me cuida e cura.

Mais que a terra, a minha mãe é a água. Mais que árvore sou peixe, sereia, gaivota.

Sou do mar.

Sou infinitamente mar.


Amo estar aqui

Que sítio maravilhoso este onde habito. As ondas calmas do verão tornam-se vagas de espuma, transbordantes, exuberantes, belíssimas, neste início de outono. E se no verão ofereço o meu corpo, quase nu, ao sol, à brisa, à água e às rochas, agora deixo que as cores que me rodeiam me vão perpassando o corpo e inundando-o de bem-estar doce e feliz.
Para os olhos é sempre uma festa. É normal humedecerem-se de emoção por tanta beleza, pelo imenso privilégio que reconheço ter. Sou grata. Há quem tenha tudo isto e muito mais e não o valorize e, portanto, acabe por não ter. Já eu, hoje, tenho totalmente. Tenho este mar faça sol ou chuva. Tenho este mar, esta areia, esta brisa brilhe osol ou goteje. Tenho sempre este mar e esta areia haja o que houver, povoe o que povoar o meu coração. Com o mar partilho as alegrias, as tristezas, os amores e os desamores. Nunca permitiu que ficasse sozinha. Nunca fico, porque lhe abro sempre o peito.

Só vejo uma maneira de ser feliz

Só vejo uma maneira de ser feliz – para quem não o é já. Apagar tudo o que aprendeu e  aprender de forma diferente. Apagar a proibição da livre manifestação da expressão genética, do eu natural, e tornar-se livre. Aceitar plenamente as emoções, os sentimentos, os instintos e viver de acordo com eles, sabendo apenas que não deve prejudicar nada nem ninguém. Estou com raiva? Pois bem, estou com raiva! É natural, faz parte do ser humano ter raiva. Deixa-me ficar a olhar para ela e esperar que se dissolva, ou deixa-me dar dois berros bem altos onde não há ninguém, ou dar uns murros numa pedra, ou cavar as ervas daninha… Sinto prazer? Pois bem, deixa-me sentir prazer, como é bom! Etc. É tudo mesmo fácil, a gente que tem existido ao longo dos milénios, cada eu incluído, é que tende a complicar. Solte-se o prazer e não haverá lugar para a dor. Permita-se o amor e não será possível a guerra. Permita-se que cada um seja. Gordo, magro, bonito, feio, falador, introvertido. Pois que seja! Que sej…

Imensamente grata

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Pensar que ainda há pouco mais de um ano e meio eu era escrava de uma sociedade que escraviza toda a gente, incluindo os que mandam nos escravos e os colegas dos escravos, que também o são. Que ainda há um ano e meio eu estava no meio de uma guerra onde todos são vítimas e todos são opressores. Onde impera a concorrência, o ódio, a inveja, a deslealdade... ou seja, onde reina o sofrimento.
Que coisa tão maravilhosa poder ter passado para este outro lado, o lado da paz, da alegria, da amizade, do amor, da lealdade, da cooperação. Com as pessoas que trabalham na mesma área que eu, colaboramos, aprendemos uns com os outros, tratamo-nos, recomendamo-nos mutuamente.
Hoje, uma pessoa linda, que me encheu de adjetivos bons durante e após a massagem que recebeu, dizia-me: “Não ensine isto a ninguém.”  Era um empresário. “Pois vou começar já em Outubro”, respondi-lhe eu. E assim é.
Na última empresa onde trabalhei as pessoas escondiam o que sabiam. Para quê? Foram todas despedidas.   A mim, sacar…

Nutrição

Fui ali ao mar nutrir-me de água, sol, brisa e rochas... e a felicidade desceu sobre mim. Amo a vida. (E sou muito grata a cada pessoa que me ensina a nutrir-me e a nutrir; a usufruir plenamente de ser eu, de ter este corpo, este templo maravilhoso de pessoa-mulher. Muito grata a todos os que me reparem, me reamamentam, me recrescem... me amam.)