Depois de largos anos a sentir-me normalmente mal não deixa de ser curioso agora sentir-me normalmente bem. Nos últimos dias então tenho acordado com sensações de bem-estar e prazer no corpo todo e na alma.
Hoje perguntei-me: Porque é que me sinto assim bem? E acho que a resposta é: Porque faço por isso.
Para saber que tenho prazer no corpo é preciso notá-lo. Coisa que aprendi a fazer com a Meditação e a Yoga, mas a Biodança, os trabalhos de Sexualidade Sagrada e as Massagens têm-me ampliado a consciência do corpo e também a sua capacidade de sentir. (De referir, para quem ainda não deu conta disso, que normalmente as pessoas só sentem o corpo quando têm dor ou quando trocam fluidos com outra. No entanto, o corpo está à disposição do seu habitante 24 horas por dia, pronto para lhe devolver em dobro de bem-estar a atenção dispensada).
Para ter paz, necessito de praticar o bom-coração, o que aprendi com a ética budista, o Reiki e a biodanza (entre outros).
Porque permito não me intoxicar com as drogas modernas: a má-língua, a televisão, a política, a troika, a crise, as desgraças.
Porque dou valor e sou grata pelo que tenho (ao imenso que tenho), e obviamente não estou a falar de dinheiro nem de outros bens materiais, embora a partir do momento em que passei a dar valor ao que tenho, e a não me queixar do que acho que me falta, nunca mais me tenham faltado euros na carteira.
Hoje sinto-me bem não porque sou uma ave rara ou porque nasci com a parte de trás virada para a lua, mas porque faço por isso. Não sou uma vítima das circunstâncias, sou uma obreira do meu próprio mundo.
quinta-feira, 28 de novembro de 2013
quinta-feira, 7 de novembro de 2013
É pela abundância que caminho
O anunciado aumento da crise trouxe-me mais tempo para o meu escritório à beira-mar. Tenho muita pena dos corpos que não toco, por mim que adoro tocar, e por eles que se privam de amor e cuidado tão essenciais, mas com a imensa paz de quem sabe que também isto vai passar, tento aproveitar o maravilhoso que continua à minha disposição, como este mar noturno, esta lua recém-nascida, a simpatia bondosa do meu amigo do restaurante, escrever. E desejo poder ter sempre essa visão e essa paz de não ir atrás de tempestades anunciadas, pois o anúncio de tempestade já é uma tempestade para quem acredita nele. Não, eu não colaboro com maus presságios, maus corações, más intenções, egoísmos, fobias e todos os afins que conseguirem imaginar. Contem comigo para a abundância, para a festa, para o amor, a paz, a saúde, a beleza o silêncio meditativo e respeitador. Contem comigo para criar. Para destruir, desculpem se quiserem, mas estou fechada. E de sorriso nos lábios e feliz como quase sempre desde que decidi ser outsider nesta sociedade, continuo a olhar o mar e a recém-lua e a dar mais um pouco de conforto ao meu amigo.
quarta-feira, 6 de novembro de 2013
Ode à verdade
Sou uma apaixonadaAmo com uma capacidade que parece ilimitada
Amo os rios, as pedras, os pássaros
A lua, o sol, as árvores, a terra
Amo os sorrisos das pessoas
Choro com o coração as suas lágrimas
Com o peito apaixono-me por cada parte do corpo
Com a pele amo até às entranhas a pele que se me oferece...
Deixo-me possuir pela terra, pela água, pelo sol e pelo vento
Extasiada deixo o meu corpo sentir toda a verdade
Deixo-o ser menina e mulher. Mulher-mãe, mulher-amante, mulher-amiga
A capacidade de dar e receber amor dos meus lábios é infinita
Amo a pele dos homens e das mulheres: amigos, irmãos, amantes, desconhecidos
O pelo dos animais
Amo e sou amada pela água, pela comida, pela brisa
Extasio-me, apaixono-me, dou-me e recebo sem fim
Cada vez com menos rodeios
Cada vez mais verdadeira, mais assumida, mais mulher, mais essência
Sou uma apaixonada e amo imensamente essa verdade de mim
Que todas as mulheres e homens se possam resgatar
Que possam tirar as máscaras, as couraças
Que possam despir a interdição de sentir
Que possam despojar-se do trabalho, dos cigarros, do álcool, dos telemóveis, jornais, filmes, política, futebol e sentir a vida que têm nas entranhas
Sentir cada milímetro de corpo, o bater do coração, a respiração sentada no seu trono sagrado, esse templo mágico e divino que é o corpo
Corpo vivo, que respira e, se lhe prestarmos atenção, corpo que sente, rejubila, extasia-se, ama, engrandece, enobrece-se e enobrece, retoma o seu poder, a sua maravilhosa essência divina
Sou uma apaixonada e grata ao universo por me permitir ser capaz de ser o que sou
Que todos possam ser.
domingo, 27 de outubro de 2013
Em busca da verdade
Hoje, só por hoje, vou praticar ser em vez de fazer
Vou praticar sentir em vez de ressentir
Vou praticar resgatar-me em vez de esculpir-me
Sou mar
Amo sentir os seios beijados pela água, sentir o ventre afagado e as entranhas saboreadas por estas torrentes de pureza líquida e sal.
Amo deixar-me embalar, pés na areia, rosto ao sol e ao ar, pelo colo tão acolhedor e suave das ondas do meu mar.
Sou da água. Nunca poderia viver onde não habitem rios, nascentes, ondas. Foi dela que nasci e é ela que me cuida e cura.
Mais que a terra, a minha mãe é a água. Mais que árvore sou peixe, sereia, gaivota.
Sou do mar.
Sou infinitamente mar.

domingo, 29 de setembro de 2013
Amo estar aqui
Que sítio maravilhoso este onde habito. As ondas calmas do
verão tornam-se vagas de espuma, transbordantes, exuberantes, belíssimas, neste
início de outono. E se no verão ofereço o meu corpo, quase nu, ao sol, à brisa,
à água e às rochas, agora deixo que as cores que me rodeiam me vão perpassando
o corpo e inundando-o de bem-estar doce e feliz.
Para os olhos é sempre uma
festa. É normal humedecerem-se de emoção por tanta beleza, pelo imenso
privilégio que reconheço ter.
Sou grata. Há quem tenha tudo isto e muito mais e
não o valorize e, portanto, acabe por não ter. Já eu, hoje, tenho totalmente. Tenho
este mar faça sol ou chuva. Tenho este mar, esta areia, esta brisa brilhe
o sol ou goteje. Tenho sempre este mar e
esta areia haja o que houver, povoe o que povoar o meu coração.
Com o mar
partilho as alegrias, as tristezas, os amores e os desamores. Nunca permitiu
que ficasse sozinha. Nunca fico, porque lhe abro sempre o peito.
sábado, 10 de agosto de 2013
Só vejo uma maneira de ser feliz
Só vejo uma maneira de ser feliz – para quem não o é já. Apagar
tudo o que aprendeu e aprender de forma
diferente. Apagar a proibição da livre manifestação da expressão genética, do
eu natural, e tornar-se livre. Aceitar plenamente as emoções, os sentimentos,
os instintos e viver de acordo com eles, sabendo apenas que não deve prejudicar
nada nem ninguém. Estou com raiva? Pois bem, estou com raiva! É natural, faz
parte do ser humano ter raiva. Deixa-me ficar a olhar para ela e esperar que se
dissolva, ou deixa-me dar dois berros bem altos onde não há ninguém, ou dar uns
murros numa pedra, ou cavar as ervas daninha… Sinto prazer? Pois bem, deixa-me sentir
prazer, como é bom! Etc. É tudo mesmo fácil, a gente que tem existido ao longo dos
milénios, cada eu incluído, é que tende a complicar. Solte-se o prazer e não
haverá lugar para a dor. Permita-se o amor e não será possível a guerra. Permita-se
que cada um seja. Gordo, magro, bonito, feio, falador, introvertido. Pois que
seja! Que seja incondicionalmente! E que maravilhosa paleta poderá
manifestar-se livremente no mundo.
Só vejo uma maneira de ser feliz: libertando o ser, sempre na
presença do coração.
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