Escorre-me o calor pelo corpo, despindo-o, voluptuam-se os mamilos. Sorrio. O dia será bom se eu tiver engenho e arte, pois nele reside tudo.
quarta-feira, 6 de agosto de 2014
terça-feira, 29 de julho de 2014
Hoje escolho as infinitas possibilidades
Hoje no meu peito há um sorriso iluminado pelas infinitas
possibilidades da vida. Hoje escolho seguir as possibilidades e desenhar o meu
próprio caminho (deixo para trás o “sangue velho dos avós” e escolho seguir a
verdade: imprevista, dolorosa por vezes, outras de sonho, mas sempre mágica,
sempre a piscar o seu olho deslumbrante).
quinta-feira, 26 de junho de 2014
"Pode alguém ser quem não é?"
Pedir a alguém reservado para ser conversador, a alguém
tímido para ser extrovertido é o mesmo que pedir a alguém baixo para ser alto
ou vice-versa. Como canta o Sérgio Godinho “Pode alguém ser quem não é?” Culpar
alguém por ser tímido, reservado, solitário ou o contrário, é o mesmo que
culpar alguém por ser baixo, ou ter olhos castanhos, ou o cabelo encaracolado…
E é grave porque deixa marcas. Se for em criança vai deixar marcas para a vida,
se for repetição em adolescente ou adulto do que a criança já ouvia, vai
reforçar crenças, culpas, baixa auto-estima.
Passa-se muito tempo a pedir aos
outros para serem o que não são… Porquê? Com que autoridade? Com que direito? Será
que algum de nós gosta que lhe peçam para ser outra coisa? Que o acusem de ser
o que é? Como se o que é não fosse perfeito, porque criação espontânea, única e
irrepetível da natureza.
sexta-feira, 23 de maio de 2014
Tenho tudo o que preciso
Quando tudo parece desfazer-se eis que surge uma luz e
exactamente aquilo que preciso. O alimento que precisava veio de outra terra, o
colo de um corpo que eu ainda não conhecia e até a bênção do amor puramente
incondicional chegou.
Não, eu não caio porque há sempre quem me segure e ajude a
levantar. Depois a dança é minha. Totalmente entregue, umas vezes em puro
êxtase, outras em amor profundo, algumas em tristeza. E se necessito realimentar-me
de novo em colos nutridores, lá estão eles à espera, ou se não estão, porque
têm a sua própria vida, e me deixam apreensiva ou mesmo aflita, eis que outros
surgem, provavelmente até de onde menos espero.
Sim, há alguns anos passei a confiar na vida e certamente
por isso, entre riso e dor, continuo por aí crescendo, recebendo tudo o que
preciso e muito mais… mesmo que por vezes doa.
quarta-feira, 30 de abril de 2014
Revoltemo-nos amando
Revoltemo-nos!
Não demos mais dinheiro para o estado.
Troquemos entre nós serviços de saúde. Sejamos honestos,
sinceros, flexíveis e de bom coração que não será necessária polícia.
Cooperemos para arranjar tudo o que se estragar.
Partilhemos carros, casas, comida. Que ninguém com fome
deixe de comer e que ninguém durma ao relento.
Amemo-nos e não precisaremos de pagar mais impostos, não
precisaremos de sustentar uma máquina que nos consome sob o pretexto de nos
servir, não precisaremos de continuar a destruir o planeta nem de viver para
trabalhar.
Revoltemo-nos amando.
quinta-feira, 2 de janeiro de 2014
Oração
terça-feira, 24 de dezembro de 2013
Um abraço
Talvez o melhor presente que eu possa receber seja um
abraço. Um abraço que me acolha e me nutra. Me acarinhe e me diga que sou
importante, que sou bela, que sou infinitamente merecedora. Que sou boa.
Um abraço que se queira abraçado por mim. Que também ele queira
ser reconhecido importante, belo, infinitamente merecedor, bom.
Grata, muito, muito grata por todos os muitos abraços assim
que recebi ao longo deste ano. Continuem a dar-mos, nunca enjoarei tal
presente.
Bons todos os dias
Desejo a toda a gente, a todos os seres e ao planeta bons
todos os dias.
Que todos os dias possam ser repletos de bom coração, de
respeito, de autenticidade, de sorrisos, de alegria. Que nenhum ser se coloque
em vantagem sobre nenhum outro. Que jamais algum animal, humano ou não, passe
fome, fique sem abrigo, sem direito à saúde, à liberdade e ao amor.
Que possamos todos morrer exclusivamente de velhos ou de
doença. Que ninguém se sinta superior ou inferior; que felicidade alguma
advenha de vitória sobre outros.
Que cooperemos em vez de concorrermos; que nos entreajudemos
em vez de nos matarmos; que o umbigo de cada um seja o umbigo universal.
Que o próprio universo tome a forma de um coração, ou de um
sorriso, ou até de uma gargalhada, de um gemido de prazer, de um abraço.
Desejo a todos os seres e ao planeta exactamente o mesmo que
a mim: que sejamos felizes todos os dias.
sexta-feira, 29 de novembro de 2013
Não faço festas à verdade
Não faço festas à verdade,
Vivo-a total, inteira, completa.
Não vivo nada pelo meio.
Comigo o copo está sempre cheio
Ou já não tem nada.
As portas só se abrem
E abrem muito, escancaradas.
Danço nua pelas ruas,
Dou enormes gargalhadas,
Beijo os pássaros, abraço as árvores.
Faço amor com tudo o que existe,
A começar por mim.
E não me peçam para não ser assim,
Que de nada serve,
Pois eu não faço festas à verdade,
Não finjo, não mascaro, não pretendo, não pinto, não borro,
não me aprisiono, não me morro.
Eu sou e ressoo e canto e berro a minha maravilhosa humanidade.
quinta-feira, 28 de novembro de 2013
Feeling good
Depois de largos anos a sentir-me normalmente mal não deixa de ser curioso agora sentir-me normalmente bem. Nos últimos dias então tenho acordado com sensações de bem-estar e prazer no corpo todo e na alma.
Hoje perguntei-me: Porque é que me sinto assim bem? E acho que a resposta é: Porque faço por isso.
Para saber que tenho prazer no corpo é preciso notá-lo. Coisa que aprendi a fazer com a Meditação e a Yoga, mas a Biodança, os trabalhos de Sexualidade Sagrada e as Massagens têm-me ampliado a consciência do corpo e também a sua capacidade de sentir. (De referir, para quem ainda não deu conta disso, que normalmente as pessoas só sentem o corpo quando têm dor ou quando trocam fluidos com outra. No entanto, o corpo está à disposição do seu habitante 24 horas por dia, pronto para lhe devolver em dobro de bem-estar a atenção dispensada).
Para ter paz, necessito de praticar o bom-coração, o que aprendi com a ética budista, o Reiki e a biodanza (entre outros).
Porque permito não me intoxicar com as drogas modernas: a má-língua, a televisão, a política, a troika, a crise, as desgraças.
Porque dou valor e sou grata pelo que tenho (ao imenso que tenho), e obviamente não estou a falar de dinheiro nem de outros bens materiais, embora a partir do momento em que passei a dar valor ao que tenho, e a não me queixar do que acho que me falta, nunca mais me tenham faltado euros na carteira.
Hoje sinto-me bem não porque sou uma ave rara ou porque nasci com a parte de trás virada para a lua, mas porque faço por isso. Não sou uma vítima das circunstâncias, sou uma obreira do meu próprio mundo.
Hoje perguntei-me: Porque é que me sinto assim bem? E acho que a resposta é: Porque faço por isso.
Para saber que tenho prazer no corpo é preciso notá-lo. Coisa que aprendi a fazer com a Meditação e a Yoga, mas a Biodança, os trabalhos de Sexualidade Sagrada e as Massagens têm-me ampliado a consciência do corpo e também a sua capacidade de sentir. (De referir, para quem ainda não deu conta disso, que normalmente as pessoas só sentem o corpo quando têm dor ou quando trocam fluidos com outra. No entanto, o corpo está à disposição do seu habitante 24 horas por dia, pronto para lhe devolver em dobro de bem-estar a atenção dispensada).
Para ter paz, necessito de praticar o bom-coração, o que aprendi com a ética budista, o Reiki e a biodanza (entre outros).
Porque permito não me intoxicar com as drogas modernas: a má-língua, a televisão, a política, a troika, a crise, as desgraças.
Porque dou valor e sou grata pelo que tenho (ao imenso que tenho), e obviamente não estou a falar de dinheiro nem de outros bens materiais, embora a partir do momento em que passei a dar valor ao que tenho, e a não me queixar do que acho que me falta, nunca mais me tenham faltado euros na carteira.
Hoje sinto-me bem não porque sou uma ave rara ou porque nasci com a parte de trás virada para a lua, mas porque faço por isso. Não sou uma vítima das circunstâncias, sou uma obreira do meu próprio mundo.
quinta-feira, 7 de novembro de 2013
É pela abundância que caminho
O anunciado aumento da crise trouxe-me mais tempo para o meu escritório à beira-mar. Tenho muita pena dos corpos que não toco, por mim que adoro tocar, e por eles que se privam de amor e cuidado tão essenciais, mas com a imensa paz de quem sabe que também isto vai passar, tento aproveitar o maravilhoso que continua à minha disposição, como este mar noturno, esta lua recém-nascida, a simpatia bondosa do meu amigo do restaurante, escrever. E desejo poder ter sempre essa visão e essa paz de não ir atrás de tempestades anunciadas, pois o anúncio de tempestade já é uma tempestade para quem acredita nele. Não, eu não colaboro com maus presságios, maus corações, más intenções, egoísmos, fobias e todos os afins que conseguirem imaginar. Contem comigo para a abundância, para a festa, para o amor, a paz, a saúde, a beleza o silêncio meditativo e respeitador. Contem comigo para criar. Para destruir, desculpem se quiserem, mas estou fechada. E de sorriso nos lábios e feliz como quase sempre desde que decidi ser outsider nesta sociedade, continuo a olhar o mar e a recém-lua e a dar mais um pouco de conforto ao meu amigo.
quarta-feira, 6 de novembro de 2013
Ode à verdade
Sou uma apaixonadaAmo com uma capacidade que parece ilimitada
Amo os rios, as pedras, os pássaros
A lua, o sol, as árvores, a terra
Amo os sorrisos das pessoas
Choro com o coração as suas lágrimas
Com o peito apaixono-me por cada parte do corpo
Com a pele amo até às entranhas a pele que se me oferece...
Deixo-me possuir pela terra, pela água, pelo sol e pelo vento
Extasiada deixo o meu corpo sentir toda a verdade
Deixo-o ser menina e mulher. Mulher-mãe, mulher-amante, mulher-amiga
A capacidade de dar e receber amor dos meus lábios é infinita
Amo a pele dos homens e das mulheres: amigos, irmãos, amantes, desconhecidos
O pelo dos animais
Amo e sou amada pela água, pela comida, pela brisa
Extasio-me, apaixono-me, dou-me e recebo sem fim
Cada vez com menos rodeios
Cada vez mais verdadeira, mais assumida, mais mulher, mais essência
Sou uma apaixonada e amo imensamente essa verdade de mim
Que todas as mulheres e homens se possam resgatar
Que possam tirar as máscaras, as couraças
Que possam despir a interdição de sentir
Que possam despojar-se do trabalho, dos cigarros, do álcool, dos telemóveis, jornais, filmes, política, futebol e sentir a vida que têm nas entranhas
Sentir cada milímetro de corpo, o bater do coração, a respiração sentada no seu trono sagrado, esse templo mágico e divino que é o corpo
Corpo vivo, que respira e, se lhe prestarmos atenção, corpo que sente, rejubila, extasia-se, ama, engrandece, enobrece-se e enobrece, retoma o seu poder, a sua maravilhosa essência divina
Sou uma apaixonada e grata ao universo por me permitir ser capaz de ser o que sou
Que todos possam ser.
domingo, 27 de outubro de 2013
Em busca da verdade
Hoje, só por hoje, vou praticar ser em vez de fazer
Vou praticar sentir em vez de ressentir
Vou praticar resgatar-me em vez de esculpir-me
Sou mar
Amo sentir os seios beijados pela água, sentir o ventre afagado e as entranhas saboreadas por estas torrentes de pureza líquida e sal.
Amo deixar-me embalar, pés na areia, rosto ao sol e ao ar, pelo colo tão acolhedor e suave das ondas do meu mar.
Sou da água. Nunca poderia viver onde não habitem rios, nascentes, ondas. Foi dela que nasci e é ela que me cuida e cura.
Mais que a terra, a minha mãe é a água. Mais que árvore sou peixe, sereia, gaivota.
Sou do mar.
Sou infinitamente mar.

domingo, 29 de setembro de 2013
Amo estar aqui
Que sítio maravilhoso este onde habito. As ondas calmas do
verão tornam-se vagas de espuma, transbordantes, exuberantes, belíssimas, neste
início de outono. E se no verão ofereço o meu corpo, quase nu, ao sol, à brisa,
à água e às rochas, agora deixo que as cores que me rodeiam me vão perpassando
o corpo e inundando-o de bem-estar doce e feliz.
Para os olhos é sempre uma
festa. É normal humedecerem-se de emoção por tanta beleza, pelo imenso
privilégio que reconheço ter.
Sou grata. Há quem tenha tudo isto e muito mais e
não o valorize e, portanto, acabe por não ter. Já eu, hoje, tenho totalmente. Tenho
este mar faça sol ou chuva. Tenho este mar, esta areia, esta brisa brilhe
o sol ou goteje. Tenho sempre este mar e
esta areia haja o que houver, povoe o que povoar o meu coração.
Com o mar
partilho as alegrias, as tristezas, os amores e os desamores. Nunca permitiu
que ficasse sozinha. Nunca fico, porque lhe abro sempre o peito.
sábado, 10 de agosto de 2013
Só vejo uma maneira de ser feliz
Só vejo uma maneira de ser feliz – para quem não o é já. Apagar
tudo o que aprendeu e aprender de forma
diferente. Apagar a proibição da livre manifestação da expressão genética, do
eu natural, e tornar-se livre. Aceitar plenamente as emoções, os sentimentos,
os instintos e viver de acordo com eles, sabendo apenas que não deve prejudicar
nada nem ninguém. Estou com raiva? Pois bem, estou com raiva! É natural, faz
parte do ser humano ter raiva. Deixa-me ficar a olhar para ela e esperar que se
dissolva, ou deixa-me dar dois berros bem altos onde não há ninguém, ou dar uns
murros numa pedra, ou cavar as ervas daninha… Sinto prazer? Pois bem, deixa-me sentir
prazer, como é bom! Etc. É tudo mesmo fácil, a gente que tem existido ao longo dos
milénios, cada eu incluído, é que tende a complicar. Solte-se o prazer e não
haverá lugar para a dor. Permita-se o amor e não será possível a guerra. Permita-se
que cada um seja. Gordo, magro, bonito, feio, falador, introvertido. Pois que
seja! Que seja incondicionalmente! E que maravilhosa paleta poderá
manifestar-se livremente no mundo.
Só vejo uma maneira de ser feliz: libertando o ser, sempre na
presença do coração.
quinta-feira, 1 de agosto de 2013
Imensamente grata

Pensar que ainda há pouco mais de um ano e meio eu era escrava de uma sociedade que escraviza toda a gente, incluindo os que mandam nos escravos e os colegas dos escravos, que também o são. Que ainda há um ano e meio eu estava no meio de uma guerra onde todos são vítimas e todos são opressores. Onde impera a concorrência, o ódio, a inveja, a deslealdade... ou seja, onde reina o sofrimento.
Que coisa tão maravilhosa poder ter passado para este outro lado, o lado da paz, da alegria, da amizade, do amor, da lealdade, da cooperação. Com as pessoas que trabalham na mesma área que eu, colaboramos, aprendemos uns com os outros, tratamo-nos, recomendamo-nos mutuamente.
Hoje, uma pessoa linda, que me encheu de adjetivos bons durante e após a massagem que recebeu, dizia-me: “Não ensine isto a ninguém.” Era um empresário. “Pois vou começar já em Outubro”, respondi-lhe eu. E assim é.
Na última empresa onde trabalhei as pessoas escondiam o que sabiam. Para quê? Foram todas despedidas. A mim, sacaram-me a informação que tinha e despediram-me. AHHHHHHHHHHHHHH Milhões de vezes grata!!!!!!!!!!!!! Espero que um dia passem pelas mãos de alguém a quem possam dizer o que hoje eu ouvi: “Você não imagina o que esta massagem fez por mim. Foi a coisa mais importante que me aconteceu. Você mudou a minha vida.”
Eu também sei o que é ter pessoas que me mudaram a vida. Ter seres que me mostraram o caminho para ser feliz, inteira, realizada. Tão grata. Sem pessoas sou nada, com pessoas sou assim infinita.
segunda-feira, 8 de julho de 2013
Nutrição
Fui ali ao mar nutrir-me de água, sol, brisa e rochas... e a felicidade desceu sobre mim. Amo a vida. (E sou muito grata a cada pessoa que me ensina a nutrir-me e a nutrir; a usufruir plenamente de ser eu, de ter este corpo, este templo maravilhoso de pessoa-mulher. Muito grata a todos os que me reparem, me reamamentam, me recrescem... me amam.)
domingo, 2 de junho de 2013
Plena de amor
Hoje sou amor, sou um claro sorriso feliz. Estou fundida no universo, possuída de vento, de rochas, de água e de aconchegante calor. Não falta nada, tudo está bem, união perfeita. Há gentes, mas não fazem barulho nem fumam. Parece que o dia acordou com o exclusivo propósito de me fazer feliz e a tudo... A quase tudo, que um pescador acabou de tirar a vida a um peixe e certamente também a uma minhoca.
Não há dia sem noite, sol sem sombra... e se calhar também não há paz sem guerra. Mesmo assim, mesmo com esse peixe cadáver, vou aproveitar cada gotinha maravilhosa que o dia faz nascer para mim.
---
Ontem passei Reiki a três mulheres. Mais três seres ligados à fonte inesgotável de energia vital do universo. Mais três seres com pozinhos de perlimpimpim para serem felizes. Talvez por isso o dia me esteja a sorrir assim.
Muito, muito grata.
Não há dia sem noite, sol sem sombra... e se calhar também não há paz sem guerra. Mesmo assim, mesmo com esse peixe cadáver, vou aproveitar cada gotinha maravilhosa que o dia faz nascer para mim.
---
Ontem passei Reiki a três mulheres. Mais três seres ligados à fonte inesgotável de energia vital do universo. Mais três seres com pozinhos de perlimpimpim para serem felizes. Talvez por isso o dia me esteja a sorrir assim.
Muito, muito grata.
segunda-feira, 20 de maio de 2013
Porque ontem fui fecundada
Hoje é dia de criar que ontem fui fecundada
Ontem libertaram-me a garganta e eu ri, chorei, gemi,
gritei
Fui para a rua rindo anedotas que inventava
Eu que nunca gostei de anedotas!
Eu que era triste porque era inteligente, “eis tudo”,
parafraseando o imenso poeta
Mas, porque reinventaram a Deusa, eu, mulher, pude ser
fecundada
E hoje é dia de criar rios de risos, rios de palavras
loucas, lindas, grotescas; mares de viva a descoberta da vida
Hoje é dia de ser sem fronteiras
E daqui liberto raios de ternura, só e só para que toda a vida seja também ela resgatada

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