domingo, 25 de janeiro de 2015

A caminho das estrelas

É da raiva que te escrevo,
Da incrível loucura que não dispenso,
Das vísceras,
Do coração que morde os pés e as pernas,
Me instiga para a frente,
Me mostra o fogo que me empurra, me não deixa desistir,
Me rodopia em chamas,
Me uiva,
Ri.

É do grito de vitória que te escrevo e digo
“PARTI. EU PARTI.”
Não fico mais contigo,
Não consigo,
És muito pequena.
Não caibo no teu espaço,
Nessa casca de ovo,
Rua da Betesga.
Eu, imenso Rossio unido ao Terreiro do Paço, sou Cacilhas ainda, Cristo Rei.
Como poderia caber nessa rua?

Parto. Eu parto.
Aceno-te.
Peço-te que não fiques triste, não desistas, não penses que morreste.
Só enlouqueceste perdida, paupérrima.
Mas a cura existe.
A cura existe sempre.

Parto.
Continuo em direcção às mães estrelas, eu que sou tão terra, tão água, tão sol, tão ar.
Volto para me unir de novo a esse pó que reside no céu.

Volto novamente, imensamente, infinitamente, eu.

sábado, 24 de janeiro de 2015

O corpo é divino

Estou feliz.

Abraço e beijo a divindade que há em ti e encho-te de espasmos com e sem corpo.

É nas estrelas que nos encontramos, porque somos corpo delas.
É nas estrelas que vivemos, hoje, que já nada nos impede, nem nós.

Se ainda duvidas, sugiro que apenas te sintas e a mim, sem pensamentos, só corpo e as direcções onde ele leva.

O corpo é divino. Vivamo-lo plenamente. Vivamos o todo. Vivamos totalmente em nós.

segunda-feira, 24 de novembro de 2014

Abramos os braços

E o sol voltou de braços abertos. Porque amo retribuir abraços, desses sinceros, generosos, quentes, que dão, dão e dão, abro-lhe os meus e fundo-me no seu corpo e na sua alma. Já não sei se é ele, se sou eu, se é tudo e todos, sinto uma imensa e transbordante felicidade. Apetece-me saltitar e saltito, apetece-me cantar e canto, dançar e danço.

Assumo totalmente, sem qualquer vergonha, sem qualquer limitação, aquilo que o coração me manda fazer e que é tão bom. Não, não tenho vergonha de estar feliz. De hoje em diante estar feliz só me trará um imenso orgulho e gestos de partilha, que tudo é muito maior quando expandido.

Abre também os teus braços, o coração, deixa o sorriso espreitar, deixa o sol envolver-te todo o corpo, entrar pelo coração, barriga, pélvis, pernas, deixa-o envolver-te o peito, os braços, o rosto e sente, sente, sente e faz o que o corpo e coração te mandarem. Tu tens direito a ser feliz e mereces. Sê o próprio sol.


segunda-feira, 17 de novembro de 2014

Dreams come true
















Ela abriu asas e nunca mais parou de voar.
Mas foi preciso abrir as asas,
Acreditar.
E ainda que o medo espreitasse (e espreitou e espreita),
Continuar de asas abertas sem medo de cair,
Ou com medo,
Mas sabendo que se cair tem pernas para se levantar.

(Com enorme gratidão a todos os que me têm ajudado a ter asas e usá-las.)

segunda-feira, 20 de outubro de 2014

Hoje é dia de amar

Acordo ressentindo mágoas, revivendo-as, ampliando-as, complicando-me a lucidez e a vida, mas decido: não, o caminho não é por aqui, este é o beco sem saída e eu quero luz, quero viagens.

Peço ajuda aos meus anjos, releio as mensagens maravilhosas que me têm enviado fazendo luz sobre as minhas partes adormecidas e volto ao coração. Já com os pés na terra e a atenção no centro do peito, o que encontro?

Amor, paz, um “amo tanto estar aqui, neste corpo, neste ao-pé-do-mar, neste país, com estas pessoas”. Sorrio terna e compassiva para os objectos dos meus ressentimentos, que são apenas pessoas fazendo o melhor que sabem, tal como eu. Ergo-me e parto de braços abertos, corpo todo feliz, sorriso no rosto e no peito, vivendo plenamente este dia.


Hoje é dia de amar e amo. É tão bom estar aqui.

quarta-feira, 6 de agosto de 2014

Depende de mim

Escorre-me o calor pelo corpo, despindo-o, voluptuam-se os mamilos. Sorrio. O dia será bom se eu tiver engenho e arte, pois nele reside tudo.



terça-feira, 29 de julho de 2014

Hoje escolho as infinitas possibilidades

Hoje no meu peito há um sorriso iluminado pelas infinitas possibilidades da vida. Hoje escolho seguir as possibilidades e desenhar o meu próprio caminho (deixo para trás o “sangue velho dos avós” e escolho seguir a verdade: imprevista, dolorosa por vezes, outras de sonho, mas sempre mágica, sempre a piscar o seu olho deslumbrante).

quinta-feira, 26 de junho de 2014

"Pode alguém ser quem não é?"

Pedir a alguém reservado para ser conversador, a alguém tímido para ser extrovertido é o mesmo que pedir a alguém baixo para ser alto ou vice-versa. Como canta o Sérgio Godinho “Pode alguém ser quem não é?” Culpar alguém por ser tímido, reservado, solitário ou o contrário, é o mesmo que culpar alguém por ser baixo, ou ter olhos castanhos, ou o cabelo encaracolado… E é grave porque deixa marcas. Se for em criança vai deixar marcas para a vida, se for repetição em adolescente ou adulto do que a criança já ouvia, vai reforçar crenças, culpas, baixa auto-estima. 

Passa-se muito tempo a pedir aos outros para serem o que não são… Porquê? Com que autoridade? Com que direito? Será que algum de nós gosta que lhe peçam para ser outra coisa? Que o acusem de ser o que é? Como se o que é não fosse perfeito, porque criação espontânea, única e irrepetível da natureza. 

sexta-feira, 23 de maio de 2014

Tenho tudo o que preciso

Quando tudo parece desfazer-se eis que surge uma luz e exactamente aquilo que preciso. O alimento que precisava veio de outra terra, o colo de um corpo que eu ainda não conhecia e até a bênção do amor puramente incondicional chegou.

Não, eu não caio porque há sempre quem me segure e ajude a levantar. Depois a dança é minha. Totalmente entregue, umas vezes em puro êxtase, outras em amor profundo, algumas em tristeza. E se necessito realimentar-me de novo em colos nutridores, lá estão eles à espera, ou se não estão, porque têm a sua própria vida, e me deixam apreensiva ou mesmo aflita, eis que outros surgem, provavelmente até de onde menos espero.


Sim, há alguns anos passei a confiar na vida e certamente por isso, entre riso e dor, continuo por aí crescendo, recebendo tudo o que preciso e muito mais… mesmo que por vezes doa.

quarta-feira, 30 de abril de 2014

Revoltemo-nos amando

Revoltemo-nos!

Não demos mais dinheiro para o estado.

Troquemos entre nós serviços de saúde. Sejamos honestos, sinceros, flexíveis e de bom coração que não será necessária polícia.

Cooperemos para arranjar tudo o que se estragar.

Partilhemos carros, casas, comida. Que ninguém com fome deixe de comer e que ninguém durma ao relento.

Amemo-nos e não precisaremos de pagar mais impostos, não precisaremos de sustentar uma máquina que nos consome sob o pretexto de nos servir, não precisaremos de continuar a destruir o planeta nem de viver para trabalhar.

Revoltemo-nos amando.

quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

Oração

Que a minha vida seja uma bênção para todos os seres e para o universo

Que cada acto meu seja abençoado

Que possamos todos ser felizes, alcançar paz, alegria e amor

Que todo o universo possa ser um local de bondade, de paz, de alegria e de amor.

terça-feira, 24 de dezembro de 2013

Um abraço

Talvez o melhor presente que eu possa receber seja um abraço. Um abraço que me acolha e me nutra. Me acarinhe e me diga que sou importante, que sou bela, que sou infinitamente merecedora. Que sou boa.

Um abraço que se queira abraçado por mim. Que também ele queira ser reconhecido importante, belo, infinitamente merecedor, bom.

Grata, muito, muito grata por todos os muitos abraços assim que recebi ao longo deste ano. Continuem a dar-mos, nunca enjoarei tal presente.

Bons todos os dias

Desejo a toda a gente, a todos os seres e ao planeta bons todos os dias.

Que todos os dias possam ser repletos de bom coração, de respeito, de autenticidade, de sorrisos, de alegria. Que nenhum ser se coloque em vantagem sobre nenhum outro. Que jamais algum animal, humano ou não, passe fome, fique sem abrigo, sem direito à saúde, à liberdade e ao amor.

Que possamos todos morrer exclusivamente de velhos ou de doença. Que ninguém se sinta superior ou inferior; que felicidade alguma advenha de vitória sobre outros.

Que cooperemos em vez de concorrermos; que nos entreajudemos em vez de nos matarmos; que o umbigo de cada um seja o umbigo universal.

Que o próprio universo tome a forma de um coração, ou de um sorriso, ou até de uma gargalhada, de um gemido de prazer, de um abraço.

Desejo a todos os seres e ao planeta exactamente o mesmo que a mim: que sejamos felizes todos os dias.

sexta-feira, 29 de novembro de 2013

Não faço festas à verdade

Não faço festas à verdade,
Vivo-a total, inteira, completa.
Não vivo nada pelo meio.
Comigo o copo está sempre cheio
Ou já não tem nada.

As portas só se abrem
E abrem muito, escancaradas.
Danço nua pelas ruas,
Dou enormes gargalhadas,
Beijo os pássaros, abraço as árvores.

Faço amor com tudo o que existe,
A começar por mim.
E não me peçam para não ser assim,
Que de nada serve,
Pois eu não faço festas à verdade,
Não finjo, não mascaro, não pretendo, não pinto, não borro, não me aprisiono, não me morro.

Eu sou e ressoo e canto e berro a minha maravilhosa humanidade.

quinta-feira, 28 de novembro de 2013

Feeling good

Depois de largos anos a sentir-me normalmente mal não deixa de ser curioso agora sentir-me normalmente bem. Nos últimos dias então tenho acordado com sensações de bem-estar e prazer no corpo todo e na alma.

Hoje perguntei-me: Porque é que me sinto assim bem? E acho que a resposta é: Porque faço por isso.

Para saber que tenho prazer no corpo é preciso notá-lo. Coisa que aprendi a fazer com a Meditação e a Yoga, mas a Biodança, os trabalhos de Sexualidade Sagrada e as Massagens têm-me ampliado a consciência do corpo e também a sua capacidade de sentir. (De referir, para quem ainda não deu conta disso, que normalmente as pessoas só sentem o corpo quando têm dor ou quando trocam fluidos com outra. No entanto, o corpo está à disposição do seu habitante 24 horas por dia, pronto para lhe devolver em dobro de bem-estar a atenção dispensada).

Para ter paz, necessito de praticar o bom-coração, o que aprendi com a ética budista, o Reiki e a biodanza (entre outros).

Porque permito não me intoxicar com as drogas modernas: a má-língua, a televisão, a política, a troika, a crise, as desgraças.

Porque dou valor e sou grata pelo que tenho (ao imenso que tenho), e obviamente não estou a falar de dinheiro nem de outros bens materiais, embora a partir do momento em que passei a dar valor ao que tenho, e a não me queixar do que acho que me falta, nunca mais me tenham faltado euros na carteira.

Hoje sinto-me bem não porque sou uma ave rara ou porque nasci com a parte de trás virada para a lua, mas porque faço por isso. Não sou uma vítima das circunstâncias, sou uma obreira do meu próprio mundo.

quinta-feira, 7 de novembro de 2013

É pela abundância que caminho

O anunciado aumento da crise trouxe-me mais tempo para o meu escritório à beira-mar. Tenho muita pena dos corpos que não toco, por mim que adoro tocar, e por eles que se privam de amor e cuidado tão essenciais, mas com a imensa paz de quem sabe que também isto vai passar, tento aproveitar o maravilhoso que continua à minha disposição, como este mar noturno, esta lua recém-nascida, a simpatia bondosa do meu amigo do restaurante, escrever. E desejo poder ter sempre essa visão e essa paz de não ir atrás de tempestades anunciadas, pois o anúncio de tempestade já é uma tempestade para quem acredita nele. Não, eu não colaboro com maus presságios, maus corações, más intenções, egoísmos, fobias e todos os afins que conseguirem imaginar. Contem comigo para a abundância, para a festa, para o amor, a paz, a saúde, a beleza o silêncio meditativo e respeitador. Contem comigo para criar. Para destruir, desculpem se quiserem, mas estou fechada. E de sorriso nos lábios e feliz como quase sempre desde que decidi ser outsider nesta sociedade, continuo a olhar o mar e a recém-lua e a dar mais um pouco de conforto ao meu amigo.

quarta-feira, 6 de novembro de 2013

Ode à verdade

Sou uma apaixonada
Amo com uma capacidade que parece ilimitada
Amo os rios, as pedras, os pássaros
A lua, o sol, as árvores, a terra
Amo os sorrisos das pessoas
Choro com o coração as suas lágrimas
Com o peito apaixono-me por cada parte do corpo
Com a pele amo até às entranhas a pele que se me oferece...


Deixo-me possuir pela terra, pela água, pelo sol e pelo vento
Extasiada deixo o meu corpo sentir toda a verdade
Deixo-o ser menina e mulher. Mulher-mãe, mulher-amante, mulher-amiga

A capacidade de dar e receber amor dos meus lábios é infinita
Amo a pele dos homens e das mulheres: amigos, irmãos, amantes, desconhecidos
O pelo dos animais
Amo e sou amada pela água, pela comida, pela brisa
Extasio-me, apaixono-me, dou-me e recebo sem fim
Cada vez com menos rodeios
Cada vez mais verdadeira, mais assumida, mais mulher, mais essência

Sou uma apaixonada e amo imensamente essa verdade de mim

Que todas as mulheres e homens se possam resgatar
Que possam tirar as máscaras, as couraças
Que possam despir a interdição de sentir
Que possam despojar-se do trabalho, dos cigarros, do álcool, dos telemóveis, jornais, filmes, política, futebol e sentir a vida que têm nas entranhas
Sentir cada milímetro de corpo, o bater do coração, a respiração sentada no seu trono sagrado, esse templo mágico e divino que é o corpo
Corpo vivo, que respira e, se lhe prestarmos atenção, corpo que sente, rejubila, extasia-se, ama, engrandece, enobrece-se e enobrece, retoma o seu poder, a sua maravilhosa essência divina
Sou uma apaixonada e grata ao universo por me permitir ser capaz de ser o que sou
Que todos possam ser.

domingo, 27 de outubro de 2013

Em busca da verdade

Hoje, só por hoje, vou praticar ser em vez de fazer
Vou praticar sentir em vez de ressentir
Vou praticar resgatar-me em vez de esculpir-me




Sou mar

As águas de Carcavelos hoje tiveram-me sereia e eu tive-as como sou. 

Amo sentir os seios beijados pela água, sentir o ventre afagado e as entranhas saboreadas por estas torrentes de pureza líquida e sal.

Amo deixar-me embalar, pés na areia, rosto ao sol e ao ar, pelo colo tão acolhedor e suave das ondas do meu mar.

Sou da água. Nunca poderia viver onde não habitem rios, nascentes, ondas. Foi dela que nasci e é ela que me cuida e cura.

Mais que a terra, a minha mãe é a água. Mais que árvore sou peixe, sereia, gaivota.

Sou do mar.

Sou infinitamente mar.


domingo, 29 de setembro de 2013

Amo estar aqui

Que sítio maravilhoso este onde habito. As ondas calmas do verão tornam-se vagas de espuma, transbordantes, exuberantes, belíssimas, neste início de outono. E se no verão ofereço o meu corpo, quase nu, ao sol, à brisa, à água e às rochas, agora deixo que as cores que me rodeiam me vão perpassando o corpo e inundando-o de bem-estar doce e feliz.
Para os olhos é sempre uma festa. É normal humedecerem-se de emoção por tanta beleza, pelo imenso privilégio que reconheço ter.
Sou grata. Há quem tenha tudo isto e muito mais e não o valorize e, portanto, acabe por não ter. Já eu, hoje, tenho totalmente. Tenho este mar faça sol ou chuva. Tenho este mar, esta areia, esta brisa brilhe o  sol ou goteje. Tenho sempre este mar e esta areia haja o que houver, povoe o que povoar o meu coração.
Com o mar partilho as alegrias, as tristezas, os amores e os desamores. Nunca permitiu que ficasse sozinha. Nunca fico, porque lhe abro sempre o peito.