terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

Xarope para tudo

O meu amado está doente vou preparar-lhe um xarope para tudo.

Abro as mãos, os braços vão atrás, aqueço o coração e peço que lhe envie sem parar amor enroscador, quente, tão saboroso.

Abro as mãos, os braços vão atrás, aconchega-se a barriga para receber a barriga do meu amado.

Páro sentindo os nossos ventres quentes, salivantes, enleando-se como se enleia o sangue nas veias.

Peço ao peito que receba o seu, mas são os mamilos que primeiro o fazem; depois cada mama, inteira, finalmente o peito e atrás dele todo o coração.

Os rostos tocam-se, tal como as coxas. As pernas entrelaçam-se. O sexo cresce-me, humedecido. O dele cresce orvalhando gotas que dizem ao meu: Vem, quero-te.

Vai durar toda a noite o vibrar deste xarope. Toda a noite vai durar o tratamento.

Hão-de ouvir-se gritos, murmúrios, gargalhadas, choros, silêncios.

Será o tratamento de tudo.


Amanhã ele acordará recuperado e se voltarmos a fechar as janelas é porque necessitámos de repetir a dose. Não para nos tratarmos de novo, mas porque queremos tratar-nos sempre.

quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

De sorriso ao peito

Estou de sorriso ao peito.
Porquê?
Não sei.
Será porque estou viva?
Porque tenho pessoas que me amam?
Porque a cada segundo, minuto, hora, sei lá, alguém me oferece qualquer coisa?
Um sorriso, palavras amorosas, um ensinamento, uma flor, um diamante?!

Estou de sorriso ao peito.
E muito mais importante que saber os motivos é notar que estou,
é notar-me,
porque notar-me significa viver,
aproveitar este preciso, precioso e irrepetível momento.

Grata por cada instante em que sou capaz de estar presente, de viver.
Grata pelos sorrisos ao peito.
Grata pelas dádivas intermináveis que recebo a cada instante.
Grata por ser capaz de sair do que já não me serve.

Grata por ser capaz de ser.

domingo, 25 de janeiro de 2015

A caminho das estrelas

É da raiva que te escrevo,
Da incrível loucura que não dispenso,
Das vísceras,
Do coração que morde os pés e as pernas,
Me instiga para a frente,
Me mostra o fogo que me empurra, me não deixa desistir,
Me rodopia em chamas,
Me uiva,
Ri.

É do grito de vitória que te escrevo e digo
“PARTI. EU PARTI.”
Não fico mais contigo,
Não consigo,
És muito pequena.
Não caibo no teu espaço,
Nessa casca de ovo,
Rua da Betesga.
Eu, imenso Rossio unido ao Terreiro do Paço, sou Cacilhas ainda, Cristo Rei.
Como poderia caber nessa rua?

Parto. Eu parto.
Aceno-te.
Peço-te que não fiques triste, não desistas, não penses que morreste.
Só enlouqueceste perdida, paupérrima.
Mas a cura existe.
A cura existe sempre.

Parto.
Continuo em direcção às mães estrelas, eu que sou tão terra, tão água, tão sol, tão ar.
Volto para me unir de novo a esse pó que reside no céu.

Volto novamente, imensamente, infinitamente, eu.

sábado, 24 de janeiro de 2015

O corpo é divino

Estou feliz.

Abraço e beijo a divindade que há em ti e encho-te de espasmos com e sem corpo.

É nas estrelas que nos encontramos, porque somos corpo delas.
É nas estrelas que vivemos, hoje, que já nada nos impede, nem nós.

Se ainda duvidas, sugiro que apenas te sintas e a mim, sem pensamentos, só corpo e as direcções onde ele leva.

O corpo é divino. Vivamo-lo plenamente. Vivamos o todo. Vivamos totalmente em nós.

segunda-feira, 24 de novembro de 2014

Abramos os braços

E o sol voltou de braços abertos. Porque amo retribuir abraços, desses sinceros, generosos, quentes, que dão, dão e dão, abro-lhe os meus e fundo-me no seu corpo e na sua alma. Já não sei se é ele, se sou eu, se é tudo e todos, sinto uma imensa e transbordante felicidade. Apetece-me saltitar e saltito, apetece-me cantar e canto, dançar e danço.

Assumo totalmente, sem qualquer vergonha, sem qualquer limitação, aquilo que o coração me manda fazer e que é tão bom. Não, não tenho vergonha de estar feliz. De hoje em diante estar feliz só me trará um imenso orgulho e gestos de partilha, que tudo é muito maior quando expandido.

Abre também os teus braços, o coração, deixa o sorriso espreitar, deixa o sol envolver-te todo o corpo, entrar pelo coração, barriga, pélvis, pernas, deixa-o envolver-te o peito, os braços, o rosto e sente, sente, sente e faz o que o corpo e coração te mandarem. Tu tens direito a ser feliz e mereces. Sê o próprio sol.


segunda-feira, 17 de novembro de 2014

Dreams come true
















Ela abriu asas e nunca mais parou de voar.
Mas foi preciso abrir as asas,
Acreditar.
E ainda que o medo espreitasse (e espreitou e espreita),
Continuar de asas abertas sem medo de cair,
Ou com medo,
Mas sabendo que se cair tem pernas para se levantar.

(Com enorme gratidão a todos os que me têm ajudado a ter asas e usá-las.)

segunda-feira, 20 de outubro de 2014

Hoje é dia de amar

Acordo ressentindo mágoas, revivendo-as, ampliando-as, complicando-me a lucidez e a vida, mas decido: não, o caminho não é por aqui, este é o beco sem saída e eu quero luz, quero viagens.

Peço ajuda aos meus anjos, releio as mensagens maravilhosas que me têm enviado fazendo luz sobre as minhas partes adormecidas e volto ao coração. Já com os pés na terra e a atenção no centro do peito, o que encontro?

Amor, paz, um “amo tanto estar aqui, neste corpo, neste ao-pé-do-mar, neste país, com estas pessoas”. Sorrio terna e compassiva para os objectos dos meus ressentimentos, que são apenas pessoas fazendo o melhor que sabem, tal como eu. Ergo-me e parto de braços abertos, corpo todo feliz, sorriso no rosto e no peito, vivendo plenamente este dia.


Hoje é dia de amar e amo. É tão bom estar aqui.