quinta-feira, 25 de outubro de 2018

Parto de prazer


Ontem a Lua nasceu grávida e pariu-me. Assistiram à boda o Sol-Poente e a Vénus nele enlaçada.

Vieram de muito longe homens e mulheres vestidos de reis-magos, mas só alguns o devem ser.

Guardo em mim todos cujos olhos reflictam a Estrela de Belém.

quinta-feira, 11 de outubro de 2018

"Só quero poder ser quem sou"

M dizia-me entre lágrimas: “Eu só quero poder ser quem sou.”



É isto o que mais nos aflige: todo o nosso a ser a pedir para o deixarem ser o que na génese é e a inibição do Ser sempre presente, muitas vezes verdadeira proibição.

Nascemos e crescemos a sermos limitados, e assim continuamos a viver. Toda a gente sabe como “deveríamos” comportar-nos, o que “devíamos” fazer, o que “temos” de aprender. Toda a gente sabe tudo de nós: que somos burros, ignorantes, intrometidos, que falamos pouco, que falamos demais, que rimos muito alto, que rimos muito baixo, que não rimos de todo… (E nós, não só compramos isto tudo, como ainda replicamos infinitamente cá para dentro.)

O estranho é que cada um sabe coisas diferentes; quer, pede e manda coisas diferentes. E muitos desses ora sabem uma coisa, ora sabem o contrário.

Se eu não posso ser quem sou, sou quem? Se tu não podes ser quem és, és quem? O quê? Quem tem o direito de te dizer o que deves ser?

Tenho para mim que quem me diz o que eu devo ser e fazer e pensar e acreditar e por onde devo ir, não gosta de mim, não me respeita, está a colocar-se numa posição de superioridade – a posição daquele que sabe. Tenho para mim que quem diz estas coisas às outras pessoas sabe mesmo muito pouco e pensa que sabe imenso, ou finge saber.

E por mais que doa, eu só acredito em cada um ser aquilo que é. Se os outros não gostarem de quem sou, de quem és, é ok. Se exigem que sejas diferente, afinal de quem gostam?

Máscaras. Uns agarram-se ainda mais às máscaras, escondem-se, não querem ser vistos, imaginam-se vistos onde só há noite cerrada, com enorme medo de serem rejeitados, de que pensam e digam mal deles. Viverão felizes?

Outros caminham nus, com o peito corajoso aberto, desafiando regras impostas, verdades apregoadas, desamor, maledicência, agressão, cobiça. Caminham com tudo o que são: com o amor, a raiva, a coragem, o medo, a indolência, a acção, o desinteressa, a luxúria.

Caminham errando e acertando, rindo e derramando rios sem fins de lágrimas.

Umas vezes oiço-os gritar de dor, outros de prazer.

E eu caminho com eles. Às vezes sou feliz, outras incomensuravelmente triste, às vezes estou rodeada de amor, outras sinto-me abandonada. Uma vezes sou a palhaça, outras a fadista. Nunca sou a que usa a máscara. Uso o nariz de palhaço para me rir de mim própria e transmutar lágrimas em alegria… exagerando ainda mais tudo o que já sou. Já máscara, nunca!

Tenho para mim que só pode dar gozo sermos quem somos.

terça-feira, 9 de outubro de 2018

Co-gerando vida


Imagem relacionadaHoje eu planto o amor em terra firme, e com ele a amizade, a generosidade, o equilíbrio, a paz, a equanimidade, o bom coração.

Hoje eu planto o amor, o próprio, o dos outros, o pelos outros e aquele bem especial, bem único.
Hoje eu planto porque é dia de plantar e aprendi que melhor que querer mudar os dias, é fluir com eles.

segunda-feira, 8 de outubro de 2018

Vestida de pele

Não gosto de me vestir como quem vai de cerimónia. Na verdade o que gosto mesmo é de andar despida. Nua, quando o tempo o permite. Enroscada nos teus pelos de lã quando o frio se mostra.


terça-feira, 20 de março de 2018

Hoje treino ser Primavera

Amo os sorrisos iluminados, os corações cheios de conforto, a amizade, amo tudo o que é doce; tenho muita dificuldade com a dor e o desamor.
Não sei se isto significa aceitar só parte de mim e da humanidade, se será antes amar a minha essência.
São tantas as interpretações das coisas, tantas as filosofias, que não sei como possa interpretar isto. Na dúvida, observo e continuo em busca de ser e dar exclusivamente amor e de querer estar com exclusivamente amor.
Assim, que bom foi hoje abrir o Facebook e ver uma, duas, três notícias de Primavera: de nascimento, de sorriso, de alegria, de viva a vida!
Hoje, ainda que doa um pouco, sei lá porquê, vou-me dedicar a treinar ser Primavera, a tentar dar flor que sorria e cheire muito bem.

segunda-feira, 21 de setembro de 2015

Prazer

Èxtase da beata Ludovica, Bernini
Em que estado está o meu coração quando tenho prazer?
Em sorriso profundo! Ele e todo o corpo.
Não preciso de nada nem de ninguém. Basta-me eu própria conectada comigo, atenção nas células e aí está ele, umas vezes subtil, outras de risos imensos.
Uma brisa, gotas de água, o toque de uma pena, o escorrer de dedos amorosos, o encontro de um corpo na mesma sintonia podem obviamente ampliá-lo e ampliam-no, mas só o ampliam porque eu tenho capacidade de o sentir, estou aberta a ele e aberta às várias nuances que pode apresentar.
E se o prazer me dá um sorriso no corpo todo, às vezes sonoras gargalhadas, poderá tal prazer ser mau? Será legítimo, inteligente, de bom-senso proibir ou de alguma forma castrar este prazer?
Grata sou a todos os que ajudam ao resgate do prazer. Resgate de termos prazer pelo simples facto de estarmos vivos, de nos permitirmos ser o que biologicamente somos, por nos permitirmos cumprir a matriz divina com que fomos criados em vez de negarmos a obra do Criador, seja o Criador o que for, por termos "tesão de viver".
Grata sou, e muito, também, por poder ajudar a resgatar o prazer (a quem se aproxima de mim e o solicita de alguma forma), e por ajudar a resgatar toda a inteireza humana, a quem quer ser verdade.
Definitivamente amo ser feliz e estar em prazer.

(Reflexão no final do Workshop de Biodanza de Vasco Fretes "A Magia do Prazer")

segunda-feira, 20 de julho de 2015

Amor incondicional

Sou pelo amor incondicional, é o único em que acredito. Não gosto quando me vêm cobrar o que me deram, aliás, percebo que não me deram, venderam. Mas também eu, se estiver bem atenta, posso perceber expectativas de retorno em muitas das doações que faço. 

Não acredito neste comércio, tenha origem nos outros ou em mim. Só acredito no amor que não pede nada em troca. É esse que traz de facto recompensas, muito maiores que as dádivas; o outro traz frustrações entre, com certeza, várias outras perdas.