domingo, 22 de fevereiro de 2015

Não prives os outros de ti

Não prives os outros da tua grandeza.
Oferece-lhes o teu sorriso, delicioso
Esse olhar suave e terno
O teu sentido de humor sem fim
As gargalhadas
Os abraços aconchegantes
O peito.
Não prives os outros – nem a ti – da tua grandiosidade.

Podes deixar em casa a raiva, o medo, as birras, os queixumes, o mau-humor, o desamor,
Mas traz sempre contigo essa imensa grandiosidade.

Sim, tu és enorme, imenso, incrível.

Olha à tua volta.
Abre o peito.
Recebe o que vês só com o coração.

Vês alguém belo?
És tu.
Doce?
És tu.
Inteligente?
És tu.
Bem-disposto? Acolhedor? Atraente? Sexy? Divertido?
Sim, és tu!

Apetece-te abraçar alguém? Cortejar? Fazer amor? Ir ao cinema? Ao teatro? Passear á beira-não-interessa o quê?
É contigo que queres fazer tudo isso.
E sabes porquê?
Porque és imenso.

No coração, na barriga, nos braços, nas pernas, no rosto, no sorriso és imenso.

Se não acreditas experimenta dia após dia treinar calar o chat habitual.
Experimenta passear na natureza
Fazer retiros de silêncio
Visitar crianças abandonadas
Voar com os pássaros.
Experimenta dançar sem álcool, nem fumos, nem conversas forçadas.
Só dançar.

Experimenta ir tirando as cortinas que te vedam os olhos exteriores e sobretudo os interiores.
E verás.
Ver-te-ás.

Não, não prives os outros de ti. Nem a ti.

terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

Xarope para tudo

O meu amado está doente vou preparar-lhe um xarope para tudo.

Abro as mãos, os braços vão atrás, aqueço o coração e peço que lhe envie sem parar amor enroscador, quente, tão saboroso.

Abro as mãos, os braços vão atrás, aconchega-se a barriga para receber a barriga do meu amado.

Páro sentindo os nossos ventres quentes, salivantes, enleando-se como se enleia o sangue nas veias.

Peço ao peito que receba o seu, mas são os mamilos que primeiro o fazem; depois cada mama, inteira, finalmente o peito e atrás dele todo o coração.

Os rostos tocam-se, tal como as coxas. As pernas entrelaçam-se. O sexo cresce-me, humedecido. O dele cresce orvalhando gotas que dizem ao meu: Vem, quero-te.

Vai durar toda a noite o vibrar deste xarope. Toda a noite vai durar o tratamento.

Hão-de ouvir-se gritos, murmúrios, gargalhadas, choros, silêncios.

Será o tratamento de tudo.


Amanhã ele acordará recuperado e se voltarmos a fechar as janelas é porque necessitámos de repetir a dose. Não para nos tratarmos de novo, mas porque queremos tratar-nos sempre.