quinta-feira, 1 de novembro de 2018

Sonho muitas vezes em ser pequena e simples


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Sonho muitas vezes em ser pequena e simples, em dizer as coisas como quem fala e não como quem lê poemas, sonho em rir com anedotas, sorrir com as crianças e festejar os dias santos. Mas não passa de sonho. Não tenho a simplicidade dos pássaros, nem a ousadia dos guerreiros, tenho antes o sangue fervente de todos os poetas. Não sei se lhes toco a genialidade em alguma coisa, mas toco-lhes seguramente o sentimento. Gosto de ter alma de poeta, sim, gosto. Mas já as dores, as preferia dores de guerreiro.


Sonho muitas vezes em ser pequena e simples, em dizer as coisas como quem fala e não como quem lê poemas, mas são só sonhos. A vida teve outros planos para mim.

Às vezes revoltam-me os planos da vida, outras abro-lhes os braços, sorrio e agradeço muito.

Curiosa esta coisa de viver.

Eu não existo

Já me vi só triste. Já me vi só feliz. Hoje vejo-me tudo. Tudo oscilante. Sinto-me um corpo onde as várias facetas da vida se vão manifestando.

Não, não sou eu que grito, não sou eu que choro, que canto, que encanto, desencanto. São sopros de vida que vão animado este corpo ao passarem por ele.

Eu não existo.

Mesmo as emoções que se manifestam não lhe pertencem, nem a mim, que não existo.

Talvez a dor seja dele, a dor física, só isso. Tudo o resto são brincadeiras de São Valentim, de São Judas, do Diabo, de Deus e sei lá de mais o quê.

Chateia-me nem sequer a chave da porta ter.

Nem sei o que se chateia. Mas sei que chateia.

Voo por aí

Em ventos me deixo ir
Em ondas transbordar
Pela terra embalar
E pelo sol florir

Mas nunca me consigo alcançar

terça-feira, 30 de outubro de 2018

quinta-feira, 25 de outubro de 2018

Parto de prazer


Ontem a Lua nasceu grávida e pariu-me. Assistiram à boda o Sol-Poente e a Vénus nele enlaçada.

Vieram de muito longe homens e mulheres vestidos de reis-magos, mas só alguns o devem ser.

Guardo em mim todos cujos olhos reflictam a Estrela de Belém.

quinta-feira, 11 de outubro de 2018

"Só quero poder ser quem sou"

M dizia-me entre lágrimas: “Eu só quero poder ser quem sou.”



É isto o que mais nos aflige: todo o nosso a ser a pedir para o deixarem ser o que na génese é e a inibição do Ser sempre presente, muitas vezes verdadeira proibição.

Nascemos e crescemos a sermos limitados, e assim continuamos a viver. Toda a gente sabe como “deveríamos” comportar-nos, o que “devíamos” fazer, o que “temos” de aprender. Toda a gente sabe tudo de nós: que somos burros, ignorantes, intrometidos, que falamos pouco, que falamos demais, que rimos muito alto, que rimos muito baixo, que não rimos de todo… (E nós, não só compramos isto tudo, como ainda replicamos infinitamente cá para dentro.)

O estranho é que cada um sabe coisas diferentes; quer, pede e manda coisas diferentes. E muitos desses ora sabem uma coisa, ora sabem o contrário.

Se eu não posso ser quem sou, sou quem? Se tu não podes ser quem és, és quem? O quê? Quem tem o direito de te dizer o que deves ser?

Tenho para mim que quem me diz o que eu devo ser e fazer e pensar e acreditar e por onde devo ir, não gosta de mim, não me respeita, está a colocar-se numa posição de superioridade – a posição daquele que sabe. Tenho para mim que quem diz estas coisas às outras pessoas sabe mesmo muito pouco e pensa que sabe imenso, ou finge saber.

E por mais que doa, eu só acredito em cada um ser aquilo que é. Se os outros não gostarem de quem sou, de quem és, é ok. Se exigem que sejas diferente, afinal de quem gostam?

Máscaras. Uns agarram-se ainda mais às máscaras, escondem-se, não querem ser vistos, imaginam-se vistos onde só há noite cerrada, com enorme medo de serem rejeitados, de que pensam e digam mal deles. Viverão felizes?

Outros caminham nus, com o peito corajoso aberto, desafiando regras impostas, verdades apregoadas, desamor, maledicência, agressão, cobiça. Caminham com tudo o que são: com o amor, a raiva, a coragem, o medo, a indolência, a acção, o desinteressa, a luxúria.

Caminham errando e acertando, rindo e derramando rios sem fins de lágrimas.

Umas vezes oiço-os gritar de dor, outros de prazer.

E eu caminho com eles. Às vezes sou feliz, outras incomensuravelmente triste, às vezes estou rodeada de amor, outras sinto-me abandonada. Uma vezes sou a palhaça, outras a fadista. Nunca sou a que usa a máscara. Uso o nariz de palhaço para me rir de mim própria e transmutar lágrimas em alegria… exagerando ainda mais tudo o que já sou. Já máscara, nunca!

Tenho para mim que só pode dar gozo sermos quem somos.

terça-feira, 9 de outubro de 2018

Co-gerando vida


Imagem relacionadaHoje eu planto o amor em terra firme, e com ele a amizade, a generosidade, o equilíbrio, a paz, a equanimidade, o bom coração.

Hoje eu planto o amor, o próprio, o dos outros, o pelos outros e aquele bem especial, bem único.
Hoje eu planto porque é dia de plantar e aprendi que melhor que querer mudar os dias, é fluir com eles.