M dizia-me entre lágrimas: “Eu só quero poder ser quem sou.” É isto o que mais nos aflige: todo o nosso a ser a pedir para o deixarem ser o que na génese é e a inibição do Ser sempre presente, muitas vezes verdadeira proibição. Nascemos e crescemos a sermos limitados, e assim continuamos a viver. Toda a gente sabe como “deveríamos” comportar-nos, o que “devíamos” fazer, o que “temos” de aprender. Toda a gente sabe tudo de nós: que somos burros, ignorantes, intrometidos, que falamos pouco, que falamos demais, que rimos muito alto, que rimos muito baixo, que não rimos de todo… (E nós, não só compramos isto tudo, como ainda replicamos infinitamente cá para dentro.) O estranho é que cada um sabe coisas diferentes; quer, pede e manda coisas diferentes. E muitos desses ora sabem uma coisa, ora sabem o contrário. Se eu não posso ser quem sou, sou quem? Se tu não podes ser quem és, és quem? O quê? Quem tem o direito de te dizer o que deves ser? Tenho para mim que quem me diz o que eu devo ser ...